8.8.11

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A PIOR ESCOLHA DE LULA
                                                                            Maria Lucia Barbosa

      Dizem que Nelson Jobim saiu do Ministério da Defesa porque quis. Estava insatisfeito e manifestou esse sentimento com provocações ao governo petista no intuito de ser demitido. Não interessa nesse artigo analisar tal homem público. Muitos o elogiaram como se ele tivesse morrido, afinal, todo morto vira santo. Não vem, contudo, ao caso tratar aqui do civil que gostava de se fantasiar de militar.
      Antes interessa observar mais uma escolha de Lula, talvez, a pior de todas. Afinal, ocorre a alguém que não foi ele que, em prazeroso exercício de seu terceiro mandato ordenou a sua afilhada política que desse um posto importante ao homem que sob suas ordens e via Marco Aurélio Garcia foi exemplarmente servil?
      Na verdade, perante o mundo civilizado o Brasil passou vergonha por conta dos constantes fiascos e trapalhadas do chanceler, de seus achegos aos piores ditadores mundiais, de suas erráticas escolhas ideológicas que privilegiaram o perigoso Ahmadinejad, o sanguinário déspota Fidel Castro, o bufão Hugo Chávez e demais caudilhos latino-americanos, enfim, todos os que são rotulados como sendo de esquerda.
        Por outro lado, as pantomimas “diplomáticas” de Amorim de certo modo disfarçaram o modo de ser PT no poder perante esquerdistas românticos ou para aqueles que acreditam que Lula é a “luz do mundo”. Isto porque, o outrora partido ético, único verdadeiramente de esquerda, aquele que vinha para mudar o que estava errado mergulhou de cabeça no vale-tudo da imoralidade pública, no peculiar tipo de capitalismo selvagem, onde poderosos roubam bilhões e fica por isso mesmo.
      Lula determinou que permanecessem no governo Rousseff ministros de setores estratégicos, ligados ao seu partido e que o serviram em seus mandatos. E outros da chamada base aliada ou comprada, como Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes. Sem dúvida, uma tática de atrelamento para dar continuidade ao seu poder, a mesma que ele impõe ao PT quando quer indicar candidatos a prefeito.
Palocci, o primeiro do atual governo a cair deve estar sem medo de ser feliz e ganhando fábulas. Nascimento e vários diretores do Ministério dos Transportes que através do que foi mostrado na imprensa lembrou um antro de ladrões, foram para o olho da rua. Agora se foi Jobim, que pelo menos não apareceu como corrupto.
   Cabe indagar se Lula não sabia, não via, não escutava nada do que se passava entre os companheiros ministros, se seria omisso ou conivente com a corrupção reinante. E Dilma Rousseff, que tendo sido, inclusive, ministra da Casa Civil, o ministério mais importante que comanda todos os demais, também não sabia de nada? Se sabia, porque não avisou ao chefe?
     Porque só agora Rousseff reagiu para ser aplaudida como a grande defensora da ética? Será por que no Ministério dos Transportes, o PAC, seu “filho” único foi abortado entre fraudes, tramoias e falcatruas? Seria o ataque moralista da presidente foi apenas um golpe de marketing? Terá ela coragem de fazer a mesma limpeza em outros ministérios, especialmente os do PMDB? De todo modo, foi significativo o aviso de Gilberto de Carvalho, porta-voz de Lula, de que não haverá mais caça as bruxas.
       Na caçada feita percebe-se que foi trocado seis por meia dúzia, o que mostra claramente a falta de quadros do PT e de suas bases. Chegou-se na era Lula ao fundo do poço da amoralidade, da mediocridade, da vulgaridade, da ausência de valores, da impunidade, do achincalhe, da malandragem, do cinismo e da mentira praticados de modo nunca antes havido nesse país. Com raras exceções presencia-se a degradação total do meio político, onde a corrupção é o feijão com arroz do cotidiano.  
    Celso Amorim, ajudante de Marco Aurélio Garcia, fiel agregado das hostes lulistas, é figura emblemática da degradação onde se destaca como sabujo sempre solicito e pronto a obedecer ao chefe. Não tem vontade própria, não possui espinha dorsal e seu forte são trapalhadas cometidas no afã de agradar aos superiores. A este tipo de indivíduo foi entregue o Ministério da Defesa, o que dá a sensação de que o país está indefeso. Como curiosidade se pode conjecturar o que fará ele em primeiro lugar: a compra dos caças franceses? A criação de um Exército latino-americano para servir a Hugo Chávez? A oficialização do trânsito das Farc dentro de nossas fronteiras? Ah, muito pode fazer Amorim em nome da causa. E como afirmou Lula da Silva: “não cabe aos militares gostarem ou não gostarem”. Ao povo não precisa dizer que deve votar nele em 2014. O povo fará isso com entusiasmo.
Há tempos atrás tais coisas seriam tidas como impossíveis. Tudo mudou. Para pior. Muito pior. Eis a verdadeira herança maldita, onde Celso Amorim é um dos destaques.
                                        Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

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